Férias Escolares: toda a Verdade!
29-12-2018
Quando fui mãe descobri em primeiríssima mão que as mulheres eram, na sua grande maioria, umas grandes mentirosas. Que isto de ser mãe era tudo flores, borboletas e arco-iris. Hum, hum. Pois está claro. Pois claro que não! Mas sobre esse tema em específico, hei-de escrever mais à frente. Hoje quero falar deste fenómeno que todos (mães e pais) passamos: as férias escolares.
Não há momento pré férias que eu não imagine idilicamente os dias que vou gozar com os meus filhos. Os programas que vamos fazer a 6! As bolachas que vamos, juntos, cozinhar e pôr a mão literalmente na massa! Caramba, se eu me esforçar até lhes sinto o cheiro a cozer no forno! Quando falamos de férias de Natal, a coisa torna-se ainda mais séria. Está frio: o tempo pede mantas, filmes, pipocas, chocolate quente, cinema na loucura, mas naturalmente, o maior tempo será em casa - a gozarmos a nossa casinha querida, que mal vemos no resto do ano. E como ainda para mais há presentes novos para abrir, imagino um cenário de jogatana, de doces gargalhadas e abracinhos pelo meio.
E nada pode estar mais longe do que esta realidade.
Não sei em que parte é que achei que ia fazer programas com um bebé de um ano e meio. Em que dispensa é que o ia prender enquanto ia ao cinema ou a um qualquer museu interessante. Dos meus 4 filhos, este é aquele que em 2 minutos entra pela cozinha do macdonald´s sem darmos conta ou de repente corre para a outra ponta do centro sem, mais uma vez, se dar por isso. Por acaso, nasceu com um apito dentro dele e facilmente o encontramos, dado a intensidade dos seus gritos. Invariavelmente a gritar "mamã". Fora o bebé, temos os outros 3. Que acordam a amar-se, pela hora do almoço já só se toleram e ao final do dia não se suportam. Discutem, gritam, batem-se, repetem vezes sem conta o que um fez ao outro e o outro ao mesmo ou ao segundo da fila. Repetem aos pais. Repetem 1000 vezes aos pais. A nós. Seres mais sérios, racionais e supostamente mais equilibrados que acordam bem dispostos, prontos a levar esta equipa em frente mais um dia e lá pela hora do almoço reviram os olhos e ao final do dia só se perguntam porque porra não estão na empresa, que de certeza, nesta altura, está mais que vazia e tão boa para não se fazer nada.
Ninguém me contou nada disto: que eu me ia olhar ao espelho a meio dos dias e me ia achar louca. Ou que ia parecer uma descompensada aos berros grande parte do tempo e que suspiraria pela hora da cama ou pela hora de regressar ao trabalho.
Não deve ser assim. Devemos tentar que não seja desta forma. Há truques: no meio da semana de férias, cravar uma prima para ficar com eles uma noite. Puxar o babysitting para mais cedo e bazarmos (o casal!) para um jantar e um cinema. Só para se conseguirem falar um bocadinho e trocar umas ideias! Já de cabeça mais leve, falar com eles para que todos participem nos programas de férias: todos têm que dar ideias e os mais velhos pesquisam. Qualquer criança com menos de 2 anos já conhece o MR. Google. Aos 7 anos, o meu filho Vasco encontrou uma exposição de dinossauros no Dolce Vita Tejo. Foi a primeira e a unica vez que lá fomos, mas fomos porque eles quiseram. Cozinhem. Dá trabalho, é verdade. Partir os ovos é uma coisa que os seduz e que nos chateia profundamente. Mas proporciona um tempo de qualidade. Rua com eles! Desde que não chova, vale tudo. A minha irmã vive na Irlanda e não ha criancinha que não bata a coxa num jardim com ou sem neve. Não ha cá estas mariquices do apanha vento e frio, olha o ranho, olha a tosse. O ranho faz parte da nossa vida, convencam-se disso desde cedo, para ser mais fácil lidar com os filhos ranhosos. Coitados, ficam feiocos, dá mau ar, mas é a vidinha. Portanto, é pô-los a correr no parque! Cá em casa fazemos jogos. Muitos e de vários géneros. Nem sempre acabam bem - o meu filho Vasco, again, é batoteiro e tem mau perder. Os outros só querem paz e que o Vasco os deixe quietos. Eu, confesso, acabo grande parte destes momentos a garantir-lhe que não voltamos a jogar juntos. Tenho, também eu, um caminho a fazer para melhorar - é verdade. Mas é mais forte que eu.
Seja o que for que façam e por mais maus momentos que tenham nas vossas férias, não se iludam com os instagrams alheios: os filhos dos outros não estão sempre lindos, não estão sempre felizes, e descansem - os vossos filhos não são os unicos que odeiam os irmãos e os ameaçam de morte várias vezes aos dias. Os meus são assim. E não estão sempre bem vestidos, nem tão pouco com bom ar. Muito menos eu, que nos dias entre brinquedos, cozinha, roupas, birras e almoços por dar, sinto que a Parentalidade Positiva, a existir, só existe com um grande balão de gin ao lado.