Gravidez, peso, enjoos, dúvidas e afins...
17-01-2019
Antes de mais peço desculpa pela ausência, um blog escrito a quatro mãos deve sê-lo e até agora o grande contributo tem sido da Aline... este post estava prometido, por estar em falta, mas também para me dar a conhecer melhor e partilhar um pouco do que tenho vivido.
A minha filha Maria Moana faz dois anos no próximo dia 26 e eu nesse mesmo dia faço 22 semanas de uma nova gravidez, de uma Matilde, que foi também ela desejada e programada. No surprises! Vão ficar com a diferença de idade que desejávamos e apesar de alguns receios (sobre os quais seguramente também escreverei) senti que tinha chegado a hora certa de dar à Moana uma irmã. Ela é filha única, sobrinha única, bisneta única, neta única da parte da mãe e como tal uma companhia tenho a certeza que só lhe fará bem!
Hoje não vos venho escrever sobre isto de ter filhos, dar irmãos, ansiedades de partilhar atenções, aumentar tarefas, despesas ou outros. Venho falar-vos de estar grávida, engordar imenso, enjoar imenso, tudo imenso! Na gravidez da Moana (que hoje me parece ter sido mais tranquila que esta!), vivi à base de Nausef, de quem dependi por 40 semanas praticamente, para sobreviver a enjoos e vómitos. Infelizmente não sou das que enjoo e perco o apetite, nem vomito e perco o peso, pelo contrário! Sou das que enjoo muito, em jejum, e faço intervalos de jejum ridículos até voltar a enjoar. E como! E lamentavelmente para mim, os mesmo não passam com sopas, saladas, iogurtes e gelatinas! A minha ginecologista que seguiu a primeira gravidez pedia-me imenso para comer sopa, e eu realmente não conseguia viver de sopa. Resumindo e já estão a imaginar a dura realidade, engordei uns queridos 18kg, para fazer nascer um ser de 2,875kg (?????) e fiz uma barriga indiscutivelmente grande, principalmente nos primeiros 5 meses, tenho ideia, depois acho que estabilizou!
Ora bem, no primeiro mês a amamentar, esfomeada, faminta e cansada comi bastante, inclusivamente papas cerelac nas madrugadas (quem nunca?!), até me mentalizar que tinha que fechar a boca e emagrecer. Confesso que não é a minha especialidade, nem genética nem sem ser. Tenho tendência para engordar, especialmente de acumular gordura na barriga (que logicamente não adoro). Não sou fã incondicional de desporto, já fiz ginásio mais focado e confesso que gostei do resultado, tenho pt em casa para "uso moderado", ou seja, porque me pesa a consciência e tenho que fazer alguma coisa nem que seja ganhar vergonha na cara. Não sou fã de dietas (não sei se na verdade alguém o é!), mas eu não sou essa pessoa. Gosto de comer. Mas na Moana fui para uma nutricionista, passei fominha (a mesma que a Aline que partilha deste "drama" comigo!) e emagreci, claro. Com muitos cortes, desporto e umas massagens, seis meses depois voltei aos 58kg. Duraram pouco! Já engravidei da Moana acima do meu peso normal, e para lá voltei, estabilizando nuns vergonhosos (uma pessoa até sente vergonha de dizer isto, mas não sei se é assim tão dramático) 63/64kg. Mau ponto de partida para uma segunda gravidez, pensarão vocês! Talvez!
Como imaginarão o panorama aqui, e como sempre disseram, não está melhor! Dizem sempre que as segundas gravidezes são piores, que a barriga cresce mais e mais depressa! Pois por cá às 21 semanas, continuamos animadamente a Nausef, com os mesmos enjoos, a mesma fome, e ainda mais peso. Sabe quem já tomou nausef que dá uma moleza e uma soneira para dar em maluca. Tomo dois todos os dias, já tomei quatro. Não sei se vos consigo dizer sequer quanto peso tenho agora... na verdade desde a última consulta de Dezembro que tenho medo de ir à balança...
E esta semana, a semana do "ten years challenge" por momentos fiz a conta aos kg (porque não?) de diferença. Não ia morrendo, porque não sou o tipo de pessoa que morre com estas coisas, e graças a Deus. E é por isso que escrevo este post! Sinto-me um bocado perdida. Reconheço que não sou uma pessoa complexada por natureza, não vivo mal com o meu corpo ou o meu peso, podia estar pior, podia estar consideravelmente melhor. Claro que não me preocupo porque até hoje também não condicionou em nada a minha saúde. Adoraria ter a genética da Carolina Patrocínio, mais a genética do que até o corpo. Adoraria ter o foco e a vontade de treinar loucamente às 7h da manhã. Mas nisto da gravidez, com as hormonas aos saltos e a sensibilidade apurada... ah claro, e cansaço, porque não é a primeira gravidez que se massaja a barriga ao final do dia no sofá, há outra filha para ocupar esse horário, estou mais sensível e acho que todas ficamos. Tenho ouvido algumas vezes aquela frase (que não sei como se diz a uma pessoa!): estás enorme!!! Pessoas: enorme é a vida, o amor pelos filhos, a alegria de ter saúde e por aí. Uma pessoa pode ser enorme de espírito, de coração, de bondade... uma grávida não está enorme. Eu não escolho enjoar, tudo bem escolho comer. Mas honestamente entre viver enjoada e engordar, prefiro engordar. À exceção que quando dizem que estou enorme, sinto-me culpada. Uma grávida não escolhe o tamanho da sua barriga. Acham que estou quase a parir. Não estou, falta um bocadinho. E no meio destes doces comentários, das imagens com que me cruzo no instagram, penso o quanto isto do corpo ganhou importância. O quanto nos julgamos, nos cobramos, e o quanto nos baralhamos com o tanto que nos julgam, nos cobram. E já se escreveu tanto sobre isto. E por mais lúcidas que sejamos, mais seguras, mais descomplexadas, por mais que o mais importante seja fazer uma morfológica e ter a certeza que está tudo certo, e ir beber aquele liquido horrível (não consegui fazer esta análise porque vomitei nas duas tentativas!) e ter a certeza que não temos diabetes, há sempre uma hora do dia que aquele "estás enorme" ecoa na nossa cabeça, na nossa alma e nos faz pensar... bolas, tem mesmo que ser assim? Tenho que enjoar? Não posso comer? E a barriga, está tão grande? E as coxas, e o rabo, e a celulite (ninguém gosta de ter celulite!!!!!!!!!!!!)... e tens que fazer um reset em ti, e afagar aquela bela e ENORME barriga e dar graças e mais graças por estares a gerar uma vida, com saúde, e que no dia que nascer vai voltar a mudar a tua vida para sempre, e sim, vais acordar e ter que fechar a boca, mexer o rabo e ir atrás dos kilinhos que a sociedade mandou dizer que deves ter e perder!
O melhor disto tudo, é que não estou enorme, mas enorme é o meu amor por esta miúda que cresce dentro de mim!
Até já, Rita
(Primeira fotografia tirada há duas semanas. Segunda fotografia na eco de ontem, até a Matilde tem sono com o Nausef)