O Peso, esse meu Amigo de longa data!

01-02-2019

Parte I

Hoje é dia 1 de fevereiro.

E para quem fez alguns compromissos para 2019, é expectável, que pelo menos mensalmente, faça um pequeno ponto de situação, sob pena de se desviar totalmente do seu caminho.

E eu gostava mesmo que este ano fosse diferente no que diz respeito a algumas opções que tomei ao cruzar o ano. Hei-de falar progressivamente daos vários objetivos que tracei para mim em 2019, mas vou começar por aquele que me custa mais (e ocupa por isso tanto espaço na minha vida) : perder e manter o peso perdido.

Este tema é-me querido e de forma a não ser cansativo para quem me lê, vou escrever sobre ele em diferentes partes, que poderão ser acompanhadas nos próximos dias. 

o melhor é comecar do início: eu fui magrinha (aquele magrinho até feioco) durante toda a minha primária. Até lá nem tinha consciência deste tema. Tinha pouca graça, quando vejo as minhas fotografias desses anos: a minha mãe não foi simpática para mim nesta fase. Cortava-me o cabelo curto, acho que não era muito de acentuar a minha vaidosice ou meninice e por isso, grande parte do meu tempo era passado a correr e a saltar. Correr, aliás, era comigo. Eu comia tudo o que eram corta-matos do colégio e geralmente classificava-me bastante bem. Jogos, apanhadas, cirumbas da vida (Malta do Amor de Deus sabe do que falo!) compunham os meus recreios perfeitos.

Os anos passaram e com eles chegou "A" mudança da idade, que no meu caso, foi lixada. Tudo saltou cá para fora: maminhas, rabo, borbulhas, fome, caramba, muita fome. Mais uma fase em que eu não me sentia especialmente bonita. E sabe Deus que estes tempos são uma merda porque inevitavelmente compreendes como a natureza (e a genética herdada das mães e dos pais) pode ser tão lixada. Como é que é possível que na tua turma convivam, ao teu lado, miúdas com exatamente a mesma idade que tu e a quem as borbulhas não ousaram nascer e as pernas se mantiveram altas e magras? Como? 

E o mundo, subitamente, começa a tornar-se um lugar díficil de viver.

Se fores uma pessoa atenta e pensadora (e eu era) rapidamente te apercebes que de duas, uma. Ou te deixas desanimar com as injustiças que se esfregam todos os dias na tua cara ou dás a volta por cima e compreendes que és muito mais que um corpo, que uma cara e que vais ter que apostar em tudo o resto que a tua mãe (graças a Deus) te transmitiu quando te deixou crescer à vontade no meio das árvores e dos livros e das conversas "filha querida, tu podes tudo. Lembra-te disso. Fala sempre e sempre bem, com quer que seja. Aprende, lê, estuda, interessa-te. Ouve, ouve muito. O resto vem por arrasto".

Bem, seria mentira se eu dissesse que aos 13 anos pensava assim. Claro que não. Mas o importante estava lá, tinha passado, tinha sido interiorizado à custa da repetição - a base estava formada. E é sob essa base que eu tento educar os meus filhos e os doto de ferramentas de amor próprio e segurança emocional. Porque só essas os vão sustentar ao longo da vida. São essas ferramentas que os farão aguentar-se nos vários desafios, nos diversos momentos bons. Será sempre aquilo que és e não apenas a tua imagem ou beleza - digo eu aos mais velhos com frequência.

Mas também seria mentira se eu dissesse que esta minha mãe não queria saber da nossa forma física, do nosso aspecto. Que o digam os meus irmãos. Também foi com esta mãe que eu aprendi a ser cáustica nos comentários e mortífera nas opiniões. Quando um de nós estava mais gordo, ela não nos poupava. Quando nos vestíamos pior ou andávamos mais abandalhados, eramos rapidamente postos na linha.

E assim se foi passando a minha adolescência e a minha juventude.

Nota muito importante: eu nunca fui obesa e não me atrevo a falar de um sofrimento que resulte desse estado - porque não o senti e não seria verdade escrever sobre isso. Eu tinha peso a mais - 5, 6, 7 kgs dependendo da época do ano. Sim, era roliça. Sempre fui. Não muito alta, maminhas a mais para a estatura que tenho, rabo espetado - enfim. Um clássico português. Tive durante muitos anos inveja das minhas amigas altas e de pernas compridas - é tão mais fácil ser alto, pensei eu durante muitos anos.

E depois comecei a namorar - e cedo. Por isso, ao mesmo tempo que lutava contra aqueles kgs a mais, a verdade é que não deixava de ter namorados, namoradinhos, whatever. Havia interesse na minha pessoa e não descurando o aspeto geral (eu podia estar gordinha, sempre tentei não estar gordalhufa - há uma diferença) eu fazia sucesso e percebi que esta luta era muito mais de mim para mim, que dos outros contra mim.

(to be continued...)

(Agora que reparo bem na nossa fotografia da primária, ninguém devia ser especialmente feliz nesta altura, se dependesse da beleza física :) !)